Um dia eu estava na Praça da República com meu BFF e vi uma garotinha liiinda, de uns seis anos, toda vestidinha com o uniforme do Corithians, igualzinha um garoto. Ao lado dela, uma mulher que era exatamente igual a menina, até nas formas arredondadas, com uma roupa parecida, nitidamente sapatão. Falei pro meu BFF:
- Beee, acho que não tinha necessidade dela vestir a menina de sapatãozinha também.
Ele me respondeu na hora:
- Por que não? Nós não fomos criados numa imposta estética hetero por nossos pais? Pois ela, que paga as contas da menina, tem o direito de vesti-la como bem quiser.
- É mesmo! – eu concordei, atentando imediatamente para o meu direito de permanecer em silêncio. E fiquei refletindo anos sobre isso. Por que nós, mesmo sendo gays e lésbicas, temos tanto preconceito com quem difere da gente nessa questão de identidade sexual??
Passaram-se os anos.
Dia desses, estava eu me achando o supra sumo da diversidade quando Isabela, recém ingressa nesse pacote de bolacha, me diz: quero fazer a transição para homem. Minha doce Isabela, dos textos tão sérios, agora é Leonardo.
Parei no tempo. Como agir? Eu, que tantos amigos travestis já tive, nunca me deparei com uma garota que agora é homem. E eu nem tenho amigos homens (exceto pelos gays). Como seria andar com ela, apresentá-la à família? E, se ele não é mais lésbica, deve Leonardo permanecer neste pacote?
Tenho um monte de perguntas, que, na realidade, são bobagens ínfimas perto do que deve estar enfrentando meu doce Leonardo, do alto de seus recentíssimos 20 anos. Pertinho dos meus 40, estou confusa, mas uma certeza eu tenho: se Isabela morreu, viva o Leonardo!
…
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Bom, vamos à parte que lhe interessa: 
Mas o que posso fazer se não resisto às tentações?
Oi, leitora que entra e não comenta porra nenhuma. Tô um doce hoje!





