“É incrível como, se você é gay, você assiste um filme todo só
pra ver alguém com uma roupa que conote homossexualidade”.
Susie Bright, “O Outro Lado de Hollywood”, 1996.
Esses dias eu tava re-assistindo documentário maravilhoso “O Outro Lado de Hollywood” (The Celluloid Closet, 1996 – baixei digrátis no “Elas e Elas Filmes”) e, pensando nessa frase da Susie, eu ri horrores Lembrando das minhas bolachices bem no início dos anos 90, quando eu lembro de ir pegar filmes nas locadoras.
No documentário, a Susie Bright comenta as muitas vezes em que assistiu filmes bobos só para ver coisas como a Doris Day vestida de soldadinho (Calamity Jane, 1953), ou a bolachérrima Joan Crawford vestida de cowboy, (Johnny Guitar, 1954)
Eu fazia a mesma coisa para ver mocinhas, digamos assim, mais fortes, ou uma mísera bitoquinha entre damas. Por mais que o filme não fosse gay, eu ficava de olhinho duro na tela, imaginando haver ali o amor que não ousava dizer seu nome.
Eu lembro bem que assistia “Ligações Perigosas”(1988) só pra ver uma cena em que Uma Thurman lançava um olhar devotado e parecia querer beijar Glen Close. A história não tinha nada de homossexual, mas na minha cabeça, ia rolar alguma coisa. No remake de 1999, com Selma Blair e Sarah Michelle Gellar, o beijo rolou, mas já havia perdido o encanto.

Madame Merteuil e Cecile em “Ligações Perigosas” e no remake

Outro que não tinha nada de gay, mas estava sempre lá marcando presença no meu videocassete era “Aliens”, com a Sigourney Weaver pagando de tenente-macha-pa-caralho. Gente, eu era doida por aquele mulherão com uma metralhadora.
Quando rolava beijinho então, era uma festa.
Debra Winger, que já havia dado um selinho na amiga Patsy Clark em Laços de Ternura (Terms of Endearment, 1983), fez também uma respiração boca-a-boca pra lá de insinuante em Theresa Russell, no Mistério da Viúva Negra (Black Widow, 1987). O selinho de “Thelma e Louise” (1991) também mexeu comigo.
E antes de Xena habitar meu coração, Red Sonja (1985) já estava lá, ruiva e malvadona. No Filme ela tem “um lance” com “the governator”, mas eu ignorava completamente essa parte e me concentrava firmemente em Brigitte Nielsen.
Para ser bem sincera, eu não dispensava nem desenho animado. Não podia ver a Tila e a Maligna juntas que imaginava mil situações (o He-man eu ignorava solenemente).
Agora, quando Catherine Deneuve e Susan Sarandon mataram a fome em THE HUNGER (1983), aí foi o sinal dos tempos. Não me conformei mais com pouca coisa. Tudo bem que o filme é de 83, mas eu só vi nos anos 90. Aliás, em “O Outro Lado de Hollywood” Susan Sarandon aparece no documentário falando dessa cena e diz que a produção queria que a personagem estivesse embriagada antes do beijo (e da cama subseqüente), mas ela disse “ninguém precisa estar bêbado para ir para a cama com Catherine, independente de qual seja seu histórico sexual”. Arrasou. Sendo eu, não perderia essa sobriedade por nada desse mundo.

Deneuve e Sarandon, Fome de Viver
Enfim, quem ainda não viu ou quer rever, faça logo o seu download, porque “O Outro Lado de Hollywood” é inspirador.
Xêro!
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Eu vi esse documentário( e todos os outros filmes que você citou). Uma das desvantagens em ser lésbica é que temos poucos filmes de qualidade para assistir(chega um momento que ficamos só revendo).Até hoje eu e milhares de pessoas se perguntam por que tanta sutileza no “Mistério da Viúva Negra”; Theresa Russell com os olhos lacrimejando inconformada com a descoberta sobre sua amada.Que olhos,mama mia!
Também já vi esse documentário, é muito legal. E sou fã da quadrilogia Aliens, ADORO a Sigourney Weaver.
[...] 1996. Esses dias eu tava re-assistindo documentário maravilhoso “O … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]